Existem algumas versões sobre a origem dessas palavras, mas quase sem querer encontrei em uma parte da história de Angola uma possível explicação sobre estes e outros termos que incorporamos ao nosso vocabulário.

Rainha Ginga

Os habitantes dos antigos reinos de Ndongo e Matamba, de Angola, em dias de vitorias e festas cantavam e dançavam em honra e memória ao grande Rei Ngola Kiluanji Kya Samba, pai da Rainha Ngola Ginga (1583-1663). A história conta que após a morte da Rainha Ginga, os portugueses aprisionaram milhares de seus guerreiros e os enviaram como escravos para o Brasil. Pelo que dizem, a rainha Ginga, além de muito inteligente e vaidosa, tinha uma forma de andar muito peculiar que incluía o remexer das ancas (mbunda, que em quimbundo significa nádegas).

Enfim, com o perdão do trocadilho, a Ginga veio literalmente do Samba. E o nosso samba provavelmente veio da lembrança dos guerreiros do remexer das ancas da rainha!

Esse tema parece bem diferente dos textos sobre espiritualidade que postamos no Buscas e Trilhas. Só que não!

Atabaques no Sambódromo do Rio – Imagem: Liga Independente das Escolas de Samba

É impossível negar a forte ligação entre o samba e a religiosidade do povo brasileiro. O sagrado está presente nas letras e enredos, na dança, nos adereços das baianas, nos atabaques e agogôs das rodas de samba. O samba e o carnaval são invenções afro-brasileiras que fazem parte de uma cultura onde o sagrado e o profano não se separam. Não é à toa que o carnaval contagia milhares de pessoas pelo mundo afora. É um grande transe, uma catarse coletiva.

E mesmo uma simples roda de samba possui essa atmosfera sagrada. Nem precisa de muita coisa! Uma mesinha com proteção e fé, a cerveja gelada, alguns batuques ou uma caixa de fósforo. O que faz o samba na verdade é a energia, o ritmo que te balança de um lado pro outro, que sobe pelos pés e te faz querer dançar na rua.

Quem já esteve numa boa gira de umbanda ou num xirê de candomblé vai entender melhor o que estou dizendo sobre essa energia contagiante. Mas todo mundo, conhecendo ou não as raízes, se contagia com os toques dos ogans, que passam despercebidos nas rodas de samba, difundindo pelas ruas e pelo mundo nossa cultura, nossa arte e nossa religiosidade.

Fontes:

Introdução ao Estudo da História de Angola – introestudohistangola.blogspot.com.br
História da Rainha Ginga, a 1ª nacionalista – aeppea.wordpress.com
Mulemba Waxa N’gola – redeangola.info

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